David Rogério

Nasci no dia 27 de maio de 1982, numa quinta-feira. Minha mãe era vendedora de cosméticos e meu pai, cenografista, trabalhou por muitos anos na TV Globo. Eu, David Rogerio, morava na Zona Sul do Rio de Janeiro, no bairro mais famoso do mundo: Copacabana.

David Rogério com 2 anos

Fiquei na Zona Sul até os 10 anos, quando meus pais se separaram. Aí começou uma nova fase da vida: fui morar com minha mãe em bairros da Zona Norte, como Engenho Novo e Vila Isabel, até a gente se estabelecer de vez na Penha, subúrbio do Rio, onde minha mãe mora até hoje. Chegamos lá em 1994, ano do Tetra, Bebeto, Romário e muita alegria.

Uma das minhas maiores diversões na infância era jogar futebol de botão. Tive um time do Bangu que eu adorava. Com o tempo, fui trocando pelo videogame, mas essas memórias ficaram.

Na adolescência, as coisas não foram fáceis. Da 5ª à 8ª série, acabei repetindo dois anos. Minha mãe, que já batalhava muito, virou vendedora de perfume para segurar as pontas sozinha. A separação dos meus pais me afetou mais do que eu imaginava. Era difícil entender tudo aquilo ainda mais no meio da confusão emocional que é a adolescência. Fiquei perdido, desmotivado, sem saber direito pra onde ir. Levei um tempo pra me reencontrar.

Mais tarde, estudei o Ensino Médio numa escola particular chamada Meira Lima — que nem sei se ainda existe. Foi lá que tive minha primeira namorada, aprendi a tocar violão, fiz amizades que carrego até hoje e montei minha primeira banda: Shopstake.

Nunca fiz cursinho pré-vestibular. Faltou informação, incentivo, direção. Acreditava que as coisas iam acontecer de outro jeito, e segui tentando encontrar meu caminho no mundo da música e da comunicação. Tentei ser um rockstar. Queria ter uma banda de sucesso, fazer shows, viver disso. Mas com o tempo percebi que talvez meu papel fosse mais nos bastidores da criação. Eu, David Rogerio, curtia mesmo era compor, pensar ideias, comunicar.

Em 2007, surgiu uma oportunidade de trabalho e me mudei para Brasília. Isso marcou o fim da banda. Morei junto com uma namorada e me formei na Unieuro, no curso de Marketing. Em 2010, voltei para o Rio já com diploma na mão e uma bagagem de vida nas costas.

De volta à cidade, entrei de vez no mundo profissional: trabalhei na RioCard, na Viação 1001, e na holding Grupo JCA, onde comecei a me especializar em mobilidade urbana. Também fiz pós-graduação em Marketing Digital na Infnet e montei minha primeira agência digital.

Depois dos 35 anos, mudei de cidade e fui morar num hostel que estava quase fechando as portas por falta de clientes. Sem estrutura, mas com muita vontade de recomeçar, comecei a frequentar coworkings foi ali que encontrei minha primeira base, minha rotina e, sem perceber, criei também a sede do que viria a ser a página Morar em Curitiba. Aquele espaço foi meu ponto de partida, a conexão que eu precisava com a cidade e comigo mesmo. Aos poucos, esse movimento virou meu projeto de vida: o Morar em Curitiba.

O projeto nasceu do meu olhar de quem decidiu, por vontade própria, viver numa cidade nova, começar do zero e construir uma relação afetiva com Curitiba. Comecei a mostrar o que eu via, como eu via e outras pessoas começaram a se identificar também.

Hoje, o Morar em Curitiba é muito mais que um projeto. É uma ponte. Me conectou com pessoas incríveis: moradores, artistas, empreendedores, o prefeito, e todo tipo de gente que faz essa cidade pulsar.

Falo com mais de 80 mil pessoas todos os dias pelas redes, mostrando não só lugares, mas ideias. Eu não só comunico: eu transformo visão em pertencimento, através de posts, vídeos, matérias e projetos que geram impacto na cidade.

Hoje eu moro na cidade que escolhi e ela também me escolheu. Curitiba virou minha casa, minha inspiração e meu jeito de viver. E sou grato a todas as pessoas que, direta ou indiretamente, me ajudaram ou até atrapalharam a chegar até aqui. Porque cada passo, cada tropeço, cada empurrão (pra frente ou pro lado) fez parte do caminho.

E no fim, é isso que define quem eu sou: David Rogerio Batista, profissional de marketing, comunicador e alguém que acredita no poder das histórias reais e sem filtro.